09/04/2011

Tecnologia Educativa: ferramentas, processos, culturas...

A utilização de Tecnologias de Informação e Comunicação (TIC´s) em metodologias de ensino e aprendizagem possuem, amiúde, três distintos tratamentos:

 - Ferramentas -> Nesta concepção, as TIC´s são apenas ferramentas que auxiliam em práticas pedagógicas já consagradas; neste ambiente, quase nunca vislumbramos práticas transformadoras. Todas as possibilidades tecnológicas disponíveis são reprimidas, somente possuindo destaque quando elas vem corroborar metodologias antigas que, muitas vezes, estão atreladas à uma concepção mecanicista da Educação. Neste cenário, não há perspectiva de participação e o processo é conduzido exclusivamente pelo professor ou pela professora;

 - Processos -> Quando as TIC´s são inseridas no cotidiano como processos educativos, temos uma abertura para maior nível de participação dos e das estudantes. Nesta perspectiva, ainda predomina uma cultura textual que orienta outras sensibilidades. As TIC´s não são apenas ferramentas, elas passam a ser utilizadas como processos de ensino e de aprendizagem, embora ainda sejam guiadas por uma cultura textual que ainda é dominante no ambiente escolar;

 - Culturas -> Neste ambiente temos a inserção de uma cultura que trabalha outras sensibilidades. As TIC´s são inseridas em um contexto pedagógico colaborativo e transformador. A cultura textual dialoga com a cultura visual, auditiva, audiovisual, multimidiática. As TIC´s não são apenas ferramentas ou processos isolados dentro do sistema de ensino, mas são trabalhadas de modo a instigar a participação dos e das estudantes em sintonia com a contemporaneidade.


É claro que estas perspectivas podem assumir características diversas:
1) É possível que um educador que pratique uma pedagogia libertadora consiga apenas trabalhar com as TIC´s como ferramenta;
2) Também é possível que um educador que pratique uma pedagogia mecanicista consiga trabalhar com as TIC´s como culturas.

Estes dois exemplos extremos é para mostrar que a tecnologia estará sempre em função da educação. Ou seja, a tecnologia em si não é capaz de libertar ou de oprimir, contudo, a maneira como a inserimos nas metodologias de ensino-aprendizagem e a concepção de educação permitirá que a tecnologia contribua para práticas pedagógicas que caminhem para um processo de libertação ou de opressão.
Isto significa que as Tecnologias Educativas precisam ser trabalhadas de forma crítica em um ambiente escolar e que busquemos, sempre, uma Educação libertadora. Isto exigirá que professores e professoras coloquem a cultura textual em diálogo com as culturas visual, auditiva, audiovisual, multimidiática que as TIC´s possuem em sua essência. Sem dúvida, as TIC´s podem e devem constituir culturas escolares que valorizem o processo educativo construído de forma colaborativa e integrada.

Para quem se interessar mais no assunto, segue o link para um manual eletrônico (em espanhol) denominado Introducción a la Tecnología Educativa escrito pelo professor Manuel Area Moreira da Universidade de Laguna (Espanha), em 2009.


2 comentários:

Anônimo disse...

A ideia de abordar a Tecnologia Eductaiva nestes 3 aspectos é muito didática: ferramenta,processo e cultura são conceitos que se dialogam em uma estrutura interessante que pode representar uma abordagem mais contemporânea da Educação.

Antônio

Djalma Ribeiro Junior disse...

Prezado Antônio,

Muito obrigado pelas considerações. Suas observações são importantes. Empreender atividades com as TIC´s no processo educativo, sobretudo, na Educação Escolar requer cpnsciência das possibilidades de aplicação e, acima de tudo, coerência pedagógica: não são as TIC´s que promovem estas atividades e sim os professores e as professoras dentro das condições contextuais.

Muito obrigado,

Forte abraço